sábado, 6 de fevereiro de 2010

Uma Crônica no Escuro

Por Homero Gomes

(Ao som de Aqualung, de Jethro Tull)

a noite é sempre mais acolhedora me sinto melhor nela é incrível eu não sei por que não tenho ideia do motivo de tanta insônia é com insônia que eu sinto paz em uma noite dessas não sei quando mas somente que foi a muito tempo uma infeliz começou a procurar alguma coisa pra comer no lixo eu comecei a me arrepiar logo de início isso é nojento uma merda a vida é um jogo bebês trucidados o sangue escorrido pequenas cabecinhas arrancadas mas o que é que eu tô fazendo? eu estava falando de outra coisa bem eu estava no ponto do meu ônibus a mulher continuou procurando até achar uma casca de laranja colocou na boca com rapidez com a mesma rapidez um líquido branco foi escorregando pelo seu braço a mulher jogou o pedaço longe e começou a cuspir e se limpar enquanto eu quase vomitava ela se limpou e foi embora eu fiquei ali por um bom tempo tentando esquecer mas sabendo que a vida é um jogo um competitivo jogo com poucas probabilidades de vitória para os que chegam jogo de sorte carteado marcado cartas escondidas nas mangas (4x)

Na próxima semana, mais uma crônica de Jamé Vu - Assim e Assim.
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3 comentários:

Jean Roberto disse...

É isso aí, Homero. Abordando a realidade nua e crua.

Parabéns.

Abraços literarios.

Parreira disse...

O que eu acho interessante nos textos do Homero é esse fluxo incessante, selvagem, que parece indicar uma urgência e um sentido pralém do próprio texto. Mesmo um comentário cotidiano, narrrado desta forma, ganha dimensões outras. E nada melhor do que Aqualung de Bg...

Homero Gomes disse...

O mais estranho em Jamé Vu é que a voz dele é só dele. Não possuo nada assim (ou parecido) em poemas, textos teatrais ou em prosa, também, que já tenha escrito. Ele é de Outro.

Obrigado pelo comentários e ouçam também Thick As A Brick, do Jethro Tull .

HG

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